quinta-feira, 20 de novembro de 2014

poéttilas



Poéttika 127
quando xangô e yansã se deitam

a guerreira das trevas
me atravessa com seu dardo de luz
a dor na carne dos teus olhos azuis
me desconcerta
mas não me desassossega

estamos em frente da vitrine
ela me chegou como carta do destino
acaso – ou ímã nos extremos
de uma equação que nunca se completa

lhe ofereço um short
ela não experimenta imediatamente
enquanto bebo uma cerveja
desconversa sobre a fuga
do lugar de onde esteve
tem as unhas apontadas pros meus olhos
como rajadas de ventos – temporal
fluidificando a sensação
que ainda não sei de onde veio


Artur Gomes
www.tvfulinaima.blogspot.com 







Poéttika
1996 - 2002

depois de seis anos
rasgamos o tratado de outubro
no hotel às tantas

da cidade alta
atravessei a travessia
atravessando bento

a tradição italiana
não conseguiu impedir
que eu destrancasse a  porta

quantas cartas
me queimaram os dedos
com o fogo das palavras

na cama
ela  me esperava nua
para nos comermos
pela primeira vez


 entre tuas pernas
grafitei meu corpo
no poema/gravidez

Artur Gomes




Poéttttica 25

do alto olho a cidade
lá em baixo deserta

na certa as pessoas
estão em suas casas
fechadas – trancadas

até os dentes
tamanha a solidão


Artur Gomes




  

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